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nº 92
- Ano XV - Março/Abril
2007
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A
importância da reciclagem para o clima do
planeta
Os produtos
alimentícios, materiais de embalagem e bens de consumo
em geral consomem combustíveis fósseis e energia
elétrica em seus ciclos de vida (durante a fabricação, o
transporte etc.), aos quais estão sempre associadas
emissões de gases de efeito estufa. Embora 93% do
fornecimento de energia no Brasil seja feito por usinas
hidrelétricas (que, se bem planejadas, não contribuem
para o efeito estufa), os 7% restantes são gerados em
termelétricas que utilizam combustíveis fósseis e emitem
dióxido de carbono (CO2) e outros gases. A reciclagem
deve ser vista como uma forte aliada para minimizar
nossa influência nas mudanças climáticas, uma vez que
permite a redução do uso de recursos naturais e evita as
emissões associadas à fabricação das
matérias-primas.
Como se dá o impacto
da reciclagem
A reciclagem diminui a
necessidade de exploração dos recursos naturais,
"economiza" inúmeras etapas de produção e transporte
(bens naturais, matérias-primas, materiais etc.) que
geram emissões e contribuem para a mudança climática e
reduz a disposição final, tanto de resíduos inertes
(constituintes de embalagens como plástico, alumínio,
aço, vidro etc.) quanto de restos de alimentos que,
sendo biodegradáveis, também
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contribuem para o efeito estufa.
No caso do alumínio, por exemplo, a reciclagem elimina
uma etapa de alto consumo de energia: a transformação do
minério em matéria-prima, diminuindo as emissões de
gases.
Sua contribuição em
números
Em todos os trabalhos de
Avaliação de Ciclo de Vida que o CETEA realiza há mais
de dez anos, o indicador ambiental de mudanças
climáticas (aquecimento global devido às emissões de
dióxido de carbono e metano, por exemplo) é tratado
profundamente.
Esse é o caso do comparativo da
produção de uma tonelada de latas de alumínio a partir
de latas recicladas e de alumínio primário. Considerando
todo o ciclo de vida da lata, esse estudo constatou que
a reciclagem reduziu em aproximadamente 65% as emissões
de metano e em torno de 80% as de dióxido de
carbono.
Segundo dados do IBGE,
o
Brasil
coleta 140 mil toneladas de
“lixo” diariamente. Se assumirmos que cerca de 75% desse
“lixo” (orgânicos + celulósicos) é fonte de carbono que
poderia se biodegradar “totalmente”, transformando-se em
emissões de dióxido de carbono, teríamos algo em torno
de 228 milhões de toneladas de CO2 por ano sendo
emitidas devido ao desperdício de produtos, tanto de
alimentos em função de manuseio inadequado quanto da não
reciclagem de materiais como os
celulósicos.
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O
Brasil
no panorama internacional da
reciclagem
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Mais uma vez, o Cempre
apresenta o quadro da reciclagem no Brasil em
comparação com outros
países.
“Os dados mostram que
o
Brasil
continua se empenhando
para aprimorar a reciclagem e, por isso, seu
desempenho já é bem superior para alguns tipos
de resíduos”, avalia André Vilhena, diretor do
Cempre.
Confira os
números.
*1 Cempre (2005),
*2Eurostat (2005), *3Warmer Bulletin (set/06),
*4US Environmental Protection Agency (2005),
*5Coordenação Ecológica Área Metropolitana
Sociedade do Estado/Ceamse (2005); *6Thailand
Institute of Packaging Management for
Sustainable Environment/TIPMSE
(2004)
O
índice nacional de 11% de reciclagem e
compostagem de resíduos sólidos urbanos está
acima da República Tcheca, Portugal, Argentina,
Colômbia e Hungria e chega perto do Reino Unido.
Em 2005, o volume reciclado foi de 5,7 milhões
de toneladas, 760 mil toneladas a mais do que em
2004. Nesse total, as participações de alumínio,
embalagem longa vida e papel cresceram, enquanto
vidro e aço tiveram pequenas
quedas.
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*1Cempre, *2US
Environmental Protection
Agency
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O
Brasil
, a
exemplo de países europeus como República
Tcheca, Espanha, França, Portugal e Suécia, tem
apostado no desenvolvimento de embalagens mais
leves que resultem em menos resíduos, na
diminuição dos componentes das embalagens e no
aumento da eficiência dos sistemas de coleta
seletiva para desenvolvimento do mercado de
recicláveis. Vêm sendo feitos também
investimentos significativos em pesquisa e
tecnologia para aprimoramento da
reciclagem.
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*1Cempre
(2005), *2Recycling International (dez/06),
*3Pro Europe 2006-2007, *4US Environmental
Protection Agency (2005), *5APEAL – the
Association of European Producers of Steel
(2006)
O índice brasileiro vem
crescendo e já supera o de Portugal. Na Europa,
de acordo com o APEAL – the Association of
European Producers of Steel, o índice de
reciclagem de embalagens de aço em 2006 foi de
63%. Essa análise engloba 30 países e o maior
crescimento ocorreu na Bélgica. Um fator chave
para esse sucesso é a inserção do aço (na forma
de latas de alimentos, bebidas, aerossóis etc.)
nos sistemas de coleta doméstica porta a
porta.
*1Cempre (2005), *2Pro
Europe (2006-2007), *3US Environmental
Protection Agency (2005), *4Valpak/Pro Europe
(2006), *5Associação Brasileira do Alumínio/Abal
(2005) e
Abralatas
O
Brasil
desponta na frente de muitos países
industrializados e também da Argentina. De
acordo com o levantamento da revista Recycling
International (de setembro de 2006), a Europa
Ocidental – inclui nações como Áustria,
Portugal, Irlanda e Reino Unido - reciclou 52%
de suas latas de alumínio (o equivalente a 25
bilhões de latas). A maioria dos países
conseguiu um pequeno aumento na reciclagem,
sendo que os maiores saltos ficaram com a
Áustria e
Portugal.
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*1Plastivida (2005),
*2Pro Europe 2006-2007, *3US Environmental
Protection Agency
(2005)
O
Brasil
é um
dos maiores recicladores de PET do mundo – em
2005, reciclou 174 mil toneladas. A revista
Recycling International (de outubro de 2006)
noticiou que a Europa recuperou 790 mil
toneladas de PET no mesmo período. A Alemanha
comandou o crescimento e outros bons níveis
ficaram com a Polônia e a França. Apesar da
ampla capacidade de reciclagem de PET na
Alemanha e países vizinhos, mais de 100 mil
toneladas de garrafas recolhidas pelo varejo
alemão só foram recicladas na China. Vale
informar que 57% dessas embalagens PET são
transformadas em fibra de
poliéster.
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*1Cempre
(2005), *2Associação Brasileira da Indústria do
PET/Abipet (2004),
*3Associação Brasileira da
Indústria do PET/Abipet (2005), *4Recycling
International
(out/06)
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*1Cempre (2005),
*2Associação Brasileira de Celulose e
Papel/Bracelpa (2006), *3Pro
Europe
2006-2007, *4US Environmental
Protection Agency
(2005)
O
Brasil
supera o
índice de reciclagem de papelão dos Estados
Unidos e de diversos outros países na reciclagem
de papel, sem contar que tem espaço para atingir
os níveis dos países europeus que são os
campeões globais na reciclagem de papel. De
acordo com dados da Recycling International (de
outubro de 2006), na Europa, um esforço de 12
setores já trabalha para atingir um índice de
66% até 2010. Mais da metade dos papéis usados
pelos europeus é produzida a partir de papel
reciclado. As fábricas chinesas de papel são
importantes compradoras. O consumo das fibras de
papel divide-se principalmente entre: China
(31%), Europa Ocidental (25%) e América do Norte
(21%). No setor de papelão, os Estados Unidos
reciclaram 24,7 milhões de toneladas em 2005,
enquanto
o Brasil
reaproveitou 2,24 milhões de toneladas para o
consumo aparente de 2,89 milhões de toneladas, o
que explica a taxa de 77,4%.
*1Cempre (2005), *2Pro
Europe 2006-2007, *3US Environmental Protection
Agency (2005)
O
Brasil
se mantém
em um nível intermediário comparado com França,
República Tcheca, Noruega, Suécia e Alemanha,
mas, ainda assim, se posiciona melhor do que
Portugal, Estados Unidos e Polônia. A Suécia tem
investido em novas aplicações para o vidro
reciclável.

*Tetra Pak
2006
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OBrasil
reciclou no ano passado 46 mil toneladas de
embalagens longa vida pós-consumo. Por sinal, o
país deu um grande impulso para a reciclagem
desse material ao desenvolver uma tecnologia que
trabalha com o processamento composto de
plástico e alumínio em um forno de plasma. A
primeira experiência ocorreu
em
Piracicaba (SP
) e deverá ser
levada para Espanha e
Bélgica.
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Wal-Mart
direciona resíduos para
cooperativas
O
Wal-Mart está promovendo um importante avanço em
sua parceria com a Cooperativa de Catadores
Agentes Ecológicos de Canabrava (CAEC), na
Bahia. Além de instalar postos de coleta
seletiva para os clientes, o Instituto Wal-Mart
tem investido, desde 2005, no desenvolvimento da
CAEC, em suporte técnico e melhoria de suas
instalações.
Em
fevereiro deste ano, a CAEC passou também a
recolher o resíduo sólido da operação de duas
lojas da rede na capital baiana: Hiper Bompreço
Garibaldi e Bompreço Armação. Diariamente,
o papel, o papelão e o plástico provenientes do
acondicionamento de produtos e de material
informativo são prensados nas próprias lojas e
retirados pela CAEC.
Toda
a operação é feita pela Cooperativa, com o apoio
da incubadora da PANGEA – Centro de Estudos
Sócioambientais. Mas, para que os funcionários
da rede se comprometessem com o sucesso do
projeto, foram realizadas palestras e
distribuídos materiais de divulgação.
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“Trata-se
de um projeto totalmente desenvolvido no Brasil
que deverá ter um importante impacto ambiental e
social. A expectativa é que, em função do grande
volume coletado, sejam gerados pelo menos 150
novos postos de trabalho na CAEC até o final do
ano”, conta Daniela de Fiori, presidente do
Instituto Wal-Mart.
O
projeto, que deverá ser expandido para todo o
país, já está atraindo a atenção da rede
internacionalmente. Em março, a iniciativa foi
premiada na categoria "Ajudando Pessoas por um
Mundo Melhor" em um encontro mundial sobre
sustentabilidade promovido pelo
Wal-Mart.

Divulgação
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Preço
do material
reciclável*
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Papelão
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Papel
branco
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Latas
aço
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Alumínio
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Vidro
incolor
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Vidro
colorido
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Plástico
rígido
|
PET
|
Plástico
filme
|
Longa
vida
|
Bahia
|
Salvador
|
150PL
|
350PL
|
200PL
|
3.600PL
|
80
|
40L
|
700PL
|
630PL
|
700PL
|
-
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Pernambuco
|
Recife
|
180PL
|
220PL
|
180PL
|
3000Pl
|
-
|
-
|
400L
|
130PL
|
-
|
-
|
Sergipe
|
Aracaju
|
120L
|
400PL
|
250PL
|
2.500PL
|
30L
|
30L
|
500L
|
300L
|
300L
|
-
|
Rio
de Janeiro
|
Rio
de Janeiro
|
200PL
|
400PL
|
170PL
|
2.800PL
|
80L
|
50L
|
-
|
500P
|
300PL
|
220PL
|
Rio
Grande do Sul
|
Farroupilha
|
180PL
|
300PL
|
170PL
|
2.100PL
|
200L
|
50L
|
250PL
|
450PL
|
150PL
|
50PL
|
Porto
Alegre
|
200PL
|
400PL
|
130PL
|
2.800PL
|
40
|
40
|
500PL
|
650PL
|
300PL
|
50PL
|
São
Paulo
|
S. B.
do Campo
|
250PL
|
400PL
|
300PL
|
3.200PL
|
130
|
80
|
700P
|
750P
|
450P
|
160P
|
Paulinia
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180PL
|
350PL
|
260
|
3.700PL
|
150L
|
-
|
850PL
|
920PL
|
490P
|
260P
|
Campinas
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180L
|
350L
|
280
|
3.500PL
|
100
|
100
|
800PL
|
800PL
|
250PL
|
250PL
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P
= prensado L = limpo I = inteiro Un = unidade
*preço da tonelada em
real
Estes
preços de venda dos recicláveis são praticados
por programas de coleta seletiva, sendo a
informação de sua inteira responsabilidade.
Atenção
programas de coleta seletiva e
cooperativas:
Para
providenciarmos a publicação dos preços
recicláveis, solicitamos o envio de cotações até
o dia 15 de cada mês ímpar do ano (janeiro,
março, maio, julho, setembro,
novembro)
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COMPROMISSO
EMPRESARIAL PARA
RECICLAGEM
O Cempre
Informa é uma publicação bimestral do Cempre,
instituição sem fins lucrativos que visa promover a
reciclagem, dentro do conceito de gerenciamento
integrado de resíduos sólidos. O Cempre congrega as
seguintes empresas: Alcoa, Aleris, AmBev, Carrefour,
Coca-Cola, DaimlerChrysler, Gerdau, Klabin, Kraft,
Natura, Nestlé, Nivea, Paraibuna, Pepsico, Philips,
Procter & Gamble, Sadia, SouzaCruz, Suzano,Tetra
Pak, Unilever e Wal-Mart.
Projeto
Editorial: Palavra. Oficina de Textos.
Jornalista
responsável: Beth Leites (MTb 20.273/SP).
Reportagem
e redação:
Ana Paula
Fagnoli
e Elaine Cancio.
Acompanhamento: Vera Bella.Projeto
gráfico: Marco Storelli.
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Cempre: Rua
Bento de Andrade, nº 126 – Jardim Paulista
São
Paulo/SP
CEP 04503-000
Tel.: (11)
3889-7806/8564
Fax: (11)
3889-8721
e-mail: cempre@cempre.org.br
homepage: www.cempre.org.br
Os artigos
assinados não expressam necessariamente a opinião do
Cempre.
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