Palestra: “Bartimeu ou Zaqueu: qual dos dois somos?” com Cleyde Rossi

Gravação especialmente produzida para o Centro Espírita Padre Zabeu Kauffman, de Indaiatuba (SP), em abril de 2020.

TEMA: “Bartimeu ou Zaqueu: qual dos dois somos?”

Expositora: Cleyde Rossi


Transcrição da palestra espírita

Olá, vamos agora nos unir em pensamento, em coração e fazermos uma breve oração para iniciarmos a nossa palestra.

Que o mestre Jesus derrame suas bençãos sobre todo o nosso planeta, sobre todas as pessoas, para que possamos ter saúde, paz e a felicidade tão almejada.

Agradecemos a Deus Nosso Pai e a espiritualidade amiga, por aqui estarmos falando em nome da nossa doutrina, em nome do nosso Evangelho de Jesus. Graças a Deus e Graças a Jesus.

Amigos queridos, estamos aqui nesse confinamento de quarentena, mas estamos felizes porque esse é o momento em que nós podemos fazer muitas reflexões, pensarmos muito, vermos em que ponto nós estamos da nossa vida, como nós estamos.

E essa reflexão faz com que a gente sinta em detalhes aquilo que nós fizemos até hoje. Já não tem mais aquele problema de que é hora de trabalhar, é hora de sair, é hora de ir para a escola, nada.

Temos todo o tempo do mundo para podermos refletir e pensar. E quando eu comecei a montar esta minha fala com vocês, eu pensei em dois personagens muito conhecidos da Bíblia, de todas as pessoas, de todos os cristãos, eu pensei em dois personagens.

Bartimeu ou Zaqueu. E aí eu dei o nome à minha fala: “Bartimeu ou Zaqueu: qual dos dois nós somos”. Vamos pensar, fazer uma ligação de Bartimeu com hoje. E Zaqueu.

Nós estamos passando, não só o Brasil, todo o planeta, muitas dificuldades. Mas o Brasil em especial, sempre que passa dificuldades, o brasileiro se reinventa, o brasileiro cria.

E é por isso que, lendo, procurando, eu achei que o Brasil em 120 anos, mais cresceu em fases de dificuldades, de crises. Por quê? Porque somos criativos. E aí, buscamos incessantemente, a criação, e viver bem.

Mas nesse silêncio, nessa quarentena, as pessoas procuram mais e mais o processo da cura. Cada um do seu jeito. Os especialistas, os cientistas, os médicos, nós dentro de casa. Cada um procura sua cura.

Mas que cura é essa que nós estamos procurando? A cura física ou a cura espiritual? Porque existem duas. Então nós precisamos da cura física. Que não venha esse vírus atrapalhar a nossa vida. Mas nós também precisamos da cura espiritual. Porque sem ela nós não caminhamos.

E é nesse ponto, agora que eu quero dizer para vocês a respeito de Bartimeu. Bartimeu. Por que ele tinha esse nome? “Bar” quer dizer filho, “timeu” de alguém doente. Então, quem era doente? Era o pai de Bartimeu e não ele.

Ele ficou cego depois, não sei dizer para vocês o porquê, não consegui descobrir a cegueira de Bartimeu, mas ele era cego. E como cego, ele não tinha direito de trabalhar, de ter a sua casa, de conviver na sociedade.

Naquela época, as pessoas se tornavam invisíveis, nem nome eles tinham. E ainda, tinham alguns privilegiados, se é que eu posso dizer isso, que conseguiam ganhar uma capa e essa capa atrás estava escrito assim.

Eles recebiam essa capa do Império Romano e você precisava ter algum amigo ali para você ganhar essa capa, mas atrás estava escrito assim, olha, em latim: “Este homem é um miserável, é um mendigueiro e ele vive de esmolas”.

Olha que humilhação, olha que tristeza, que angústia, você andar vestido com uma roupa desse jeito.

Então, o que é que Bartimeu fez? Na primeira oportunidade, na primeira, quando ele viu, ouviu dizer que ia passar o Messias, ele ficou atento para quando ele passasse e aí ele ouviu que Ele estava se aproximando.

O que Bartimeu faz? Ele joga sua capa, põe fora aquela capa e sai aos tropeções, em busca do Messias e o Messias diz pra ele: “O que queres que eu te faça?”. “Que eu veja, Senhor”. E Ele disse “você vai ver”. E Bartimeu vai ver a partir daquele dia, a sua doença física vai embora.

E nos contam os historiadores que Bartimeu a partir daquele dia cantava em todos os lugares as bençãos de ter sido curado por aquele mestre nazareno.

E nós temos também uma outra pessoa que fez a mesma coisa, que foi o Zaqueu. Quem era Zaqueu? Zaqueu, ele era um homem pequenininho, cobrador de impostos e ninguém gostava dele porque mexia no bolso das pessoas.

E ele era rico, era um homem de muitas posses, tinha casas lindas e ele também queria chegar até perto desse mestre.

Sabe por quê? Porque no coração de Zaqueu já existia essa vontade. E quando ele ficou sabendo que o Mestre ia passar, ele queria ser visto, então ele subiu numa árvore para chamar a atenção.

E Jesus chega embaixo da árvore e diz para ele: “O que você quer de mim?”. Senhor, eu quero que tu vás até a minha casa. E Ele falou: “Hoje à noite eu estarei ceiando com você”. E assim Jesus fez.

Mas, esses dois homens, o que eles fizeram? Eles não aceitaram ser pessoas invisíveis na sociedade. E trazendo para o dia de hoje, um professor da USP, um estudioso. Ele é um psicólogo.

Estudando a invisibilidade do ser humano na sociedade. Ele se vestiu de gari na USP e todo dia de manhã durante o tempo do estudo, ele ficava na porta da USP limpando, varrendo, recolhendo lixo.

E os amigos psicólogos que trabalhavam com ele na outra parte do dia, em busca do que é ser invisível para a sociedade, ninguém o enxergava, ninguém o via.

Então ele sentiu na pele, o que ele percebeu? Que o que manda para a nossa sociedade, infelizmente, é a roupa, é o status, é a profissão, é o dinheiro. Sabe!? A posição social.

Mas Bartimeu e Zaqueu não se importaram com isso, eles foram atrás de ver Jesus e dizer a ele “Eu quero ser alguém como outro qualquer”.

Eles foram teimosos? Eles foram desobedientes em virtude daquela situação social? Não. O que nós podemos dizer é que Bartimeu e Zaqueu foram proativos, eles sentiram que a responsabilidade era deles.

Eles que tinham que buscar a cura, eles que tinham que buscar ser enxergados, eles não se sentiram coitadinhos, infelizes.

E infelizmente, hoje em dia, quantas pessoas, até pais, chegam para os seus filhos e dizem: “Você não é nada, você não vai ser nada, você não é inteligente, você não é esperto, você não é sabido, você não vai ser nada na vida”.

Às vezes no emprego, lá no serviço. Quantos que fazem isso com o outro. Mas nós temos que abaixar a cabeça? Não. Nós temos que comprar essa fala? Não.

Nós temos que mostrar para nós mesmos, do que nós somos capazes. É isso que nós precisamos, nós temos que mostrar para o outro, que a responsabilidade de ser ou deixar de ser é minha.

E para isso a doutrina fala que eu tenho meu livre arbitrio. Eu tenho é que cuidar da minha vida, não é pai, não é mãe, não é meu chefe, não é meu diretor, não é ninguém.

Eu cuido da minha vida por eu ser responsável por ela. Eu posso ter ajuda do outro, eu posso ter um aconselhamento, eu posso ter uma indicação de caminho.

Porém, a minha vida é minha. Não são os outros que definem o que eu vou ser ou o que eu deixo de ser.

Eu procuro ter a minha auto-estima, levantar o meu ego, ser feliz, procurar aquilo que eu gosto de fazer e não aquilo que o outro quer.

E esse momento, de estarmos dentro de casa, com a nossa família, com os nossos entes queridos, é um momento muito bom, de nós nos relacionarmos e colocarmos pontos nos “is”.

Acertar algumas coisas que estavam fora porque nós não tínhamos tempo de conversar. Então aqui, agora, nesse momento, é que nós podemos fazer isso.

Então, vamos seguir o exemplo de Zaqueu e Bartimeu. Bartimeu jogou a capa, ele nem olhou para trás, porque ele sabia que muita gente ia querer pegar aquela capa.

Mas ele não olhou, e Zaqueu fez a mesma coisa, jogou a sua capa de pessoa infeliz e partiu para a luta, foi ser feliz. E eles tinham um lado que nós já não temos mais. Eles esperaram Jesus passar.

E nós? Jesus já passou, Jesus já veio, já deu exemplo, já deu a sua vida, já mostrou para nós o que é ter paciência, o que é ter fraternidade, o que é ser feliz mesmo dentro de todos os problemas.

Porque Jesus era um ser feliz. Tanto é que nós nunca ouvimos falar em lugar nenhum de Jesus doente.

Jesus foi o ser que veio aqui na terra para nos mostrar tudo que é bom, tudo que é maravilhoso, mesmo dentro da sua vida sofrida, então é isso que nós temos que fazer.

E nós temos um terceiro exemplo, esse um exemplo de alguém que era tudo na vida. Tinha status, tinha nome, tinha um “doutor” na frente do seu nome. Doutor da lei, doutor do templo, Paulo, então “Saulo”.

Até que um dia Deus chamou sua atenção e disse “Saulo, por que você me persegue?”. Eu quero você no meu caminho. E Saulo joga sua capa de Doutor da lei e vai seguir a vida como Paulo, o outro apóstolo, que não esperou de ninguém.

Sofreu? Sofreu! Mas ele tinha muito amor para dar, então nós temos que seguir esses exemplos. Nós não temos que nos sentir coitadinhos, porque o vírus está aí, porque estamos trancados dentro de casa, porque não podemos… Nada disso.

Nós temos que olhar a vida com outros olhos, olhar esse planeta maravilhoso. Ele está sendo curado através da nossa cura, de nós estarmos dentro de casa.

Menos poluição, menos sujeira, menos barulho, menos tudo. Então nosso planeta está sendo curado e como ele, nós também.

Ninguém é coitadinho, somos felizes por estarmos enfrentando este momento. Cada um no seu lar, cada um na sua família e vamos sair dessa, sim.

Nós sabemos que Deus está de olho em nós, Jesus, a espiritualidade. Então vamos ser felizes, mesmo dentro de todos esses percalços e esses problemas.

E lembrando, que Paulo lá na frente disse uma frase muito memorável: “Já não sou eu quem vive, mas é Cristo que vive em mim”.

Então vamos ver se nós saímos dessa quarentena lembrando que Cristo vive em nós. E sermos mais felizes, mais humanos, mais amigos, mais fraternos, sabe!? Depois da crise, podendo nos abraçar realmente, podendo estar junto, podendo compartilhar.

Enquanto isso, não podemos, vamos compartilhar pela internet, não é!? Vamos ouvir as falas de nossos amigos, de nossos companheiros, não é!? Vamos ficar em casa porque isso é muito necessário.

Então vamos fazer como eles, não culpar ninguém. Nem o vírus, nem o meu pai, nem minha mãe, ninguém. Se eu tenho a minha derrota, a minha infelicidade, eu tenho que procurar outros valores, procurar outras atitudes.

Estudar mais, procurar fazer todos os cursos que a casa me oferece e abrir uma jornada de luz na minha vida, é isso que eu tenho que fazer.

Então, procurar melhorar a minha vida, o meu trabalho e o meu lar. Então precisamos aprender, que essa jornada me faça retornar para viver e viver melhor, em família.

Agir em nome de Deus e de Jesus. Agora nós vamos fazer uma prece breve, dizendo a Jesus: “Obrigado por aqui estarmos”. E que ele possa derramar luzes de paz, de saúde, sobre nosso planeta.

Para que todas as pessoas possam sentir a paz, o alívio de suas dores e ser felizes acima de tudo. Sabendo que estamos com Deus, com Jesus e com toda a nossa espiritualidade.

E que ele possa continuar nos protegendo agora e sempre. Graças a Deus e graças a Jesus.