Palestra Espírita: “Reflexões sobre o momento atual” com Rosaura Grespan

Gravação especialmente produzida para o Centro Espírita Padre Zabeu Kauffman, de Indaiatuba (SP), em abril de 2020.

TEMA: Reflexões sobre o momento atual

Expositora: Rosaura Grespan

Referências:

  • Livro: Evangelho Segundo o Espiritismo Capítulo XXVII: Pedi e Obtereis | Subtema: Ação da prece pela transmissão do pensamento – item 12

Transcrição da Palestra Espírita

Irmãos queridos, estamos nos reunindo a vocês numa iniciativa da nossa casa espírita Centro Espírita Padre Zabeu Kauffman aqui de Indaiatuba. E nós nesse momento vamos reflexionar acerca das lições do Evangelho de Jesus.

Eu gostaria de pedir permissão para vocês nesse momento para que nós pudéssemos ler um trecho de uma lição do nosso querido Evangelho que está com contido no capítulo 27 “Pedi e obtereis”: “Ação da prece pela transmissão do pensamento”. E nós vamos ler o item que nos interessa muito que é o item 12.

“Se dividirmos os males da vida em duas categorias sendo uma as que o homem não pode evitar e outra a das atribuições que ele mesmo provoca por sua incúria e pelos seus excessos, veremos que esta última é muito mais numerosa que a primeira.

Torna-se pois evidente que o homem é o autor da maioria das suas aflições e que poderia poupar-se se agisse sempre com sabedoria e prudência. É certo também que essas misérias resultam das nossas infrações às leis de Deus e que se observássemos rigorosamente, seríamos perfeitamente felizes.

Se não ultrapassássemos os limites do necessário na satisfação das nossas exigências vitais, não sofreríamos as doenças que são provocadas pelos excessos e as vicissitudes decorrentes dessas doenças.

Se limitássemos nossas ambições, não teríamos a ruína. Se não quiséssemos subir mais alto, não recearíamos a queda. Se fôssemos humildes não sofreríamos as decepções do orgulho abatido. Se praticássemos a lei de caridade, não seríamos maleficentes, nem invejosos, nem ciumentos e evitaríamos as querelas e as dissensões. Se não fizéssemos nenhum mal a ninguém, não teríamos de ter as vinganças e assim por diante.”

Então companheiros queridos, é um momento de meditação para todos nós. Então vamos pedir licença à espiritualidade maior para que possamos fazer uma conexão nesse instante com todos esses irmãos queridos que estão sempre ao nosso lado, nossos mentores.

E também toda a nossa equipe espiritual de trabalhadores que nesse momento está na Terra para minimizar a dor e o sofrimento. Vamos nos conectar a Maria de Nazaré. Vamos nos conectar a Jesus, o mestre incondicional das nossas almas. E com ele, nós vamos nos conectar à presença querida do nosso Pai de amor, doador da vida. Ele que é aquele luminar em que todos nós devemos depositar a nossa confiança. Nenhuma folha cai da árvore se não for pela vontade do nosso Pai. E vamos assim, na sua presença, nesse momento nos unindo na oração que Jesus nos ensinou:

Pai nosso que estais no céu, santificado senhor seja o teu nome. Venha a nós o teu reino. Seja feita a tua vontade assim na Terra como em todo o universo. O pão nosso de cada dia nos dai  hoje e sempre senhor perdoa as nossas dívidas que ainda são tantas assim como também nós devemos perdoar aos nossos devedores. E não nos deixe cair nas tentações da nossa invigilância e livra-nos Senhor de todo mal, inclusive do que persiste em habitar o nosso interior. Faze-nos perceber Pai que teu é o teu reino, o poder, a luz e a glória para sempre.

Irmãos queridos,  vamos refletir acerca da lição lida nesse momento porque sabemos muito bem que a nossa incúria, o fato de nós não olharmos a vida como ela deveria ser vista dentro dos princípios de Jesus Cristo que nos disse categoricamente que somos todos irmãos.

Então, nós podemos dizer que Jesus nos orientou a amarmos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. E essa máxima de Jesus, ela está contida em todas as religiões, não necessariamente nas cristãs e também nas filosofias. E nós ainda estamos aqui engatinhando nesse processo de compreensão do significado destas palavras sublimes do Cristo: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Nós estamos atravessando momentos de dor no nosso planeta. Esses momentos onde nós vemos tantas pessoas desencarnando em virtude do Coronavírus. Tantas pessoas que se encontram confinadas nos seus lares. Tantos templos e casas religiosas que estão com suas portas neste momento fechadas. Estamos percebendo que muitos se encontram no desespero, na desesperança, na revolta.

Mas o Cristo, ele sabe de tudo. Ele nos deixou o seu legado de amor para que nós seguíssemos, e as lições do Cristo são perenes. E nós, que somos espíritas, temos a compreensão dessa doutrina esclarecedora e consoladora, que traz pra gente amplo entendimento do que acontece no mundo. E principalmente nesta hora, sabemos bem, companheiros queridos, que nós estamos sujeitos à lei da destruição. Está lá no Livro dos Espíritos.

Sabemos também que isso faz parte do processo natural do nosso planeta que sai de um mundo de provas e de expiações para um mundo de regeneração. E seria muito bom se nós saíssemos de uma forma tranquila, de uma forma normal, sem que fossemos visitados por tragédias, por convulsões planetárias.

Nós sabemos tudo isso mas não colocamos em prática. Ainda é difícil para nós colocarmos o nosso aprendizado em prática. Está lá tão claro para todo mundo que nós devemos nos amar uns aos outros. Entretanto, a maioria de nós ainda está ligado ao ego. Ainda é portador do orgulho e do egoísmo, as duas grandes chagas morais que neste momento mais do que nunca assolam o nosso orbe.

Se nós formos olhar o panorama da Terra nesse momento, quantas pessoas ainda estão carentes de tudo. As grandes nações estão preocupadas com aquelas que não produzem nada que seja significativo para eles. Estão preocupadas em preservar os povos destas nações que possuem riquezas, mas que são explorados por aqueles que detêm o poder nas mãos.

Não irmãos, ainda estamos vivendo um momento que a palavra fraternidade, ela não faz parte do nosso dicionário. Claro, nós entendemos o que é solidariedade, felizmente. E nesses momentos de convulsão social existe solidariedade por parte de muitos. Mas só a solidariedade não basta para um mundo que quer se tornar um mundo regenerado. Nós precisamos ser fraternos, e fraternidade é se preocupar com o semelhante. É se preocupar com outro. É não julgar. É agir da mesma forma como o Cristo agiu.

E ele não teve jamais nenhuma atitude que não fosse sempre a mesma para com todos. Acolheu aqueles que o seguiam amorosamente. Acolheu Zaqueu que era uma criatura comprometida através da posse do ouro. Acolheu Madalena, a pecadora arrependida depois. Acolheu a mulher da Samaria que era um povo renegado pelos judeus.

Então irmãos, ele nos deixou a parábola do bom samaritano, que nos mostra perfeitamente como o Cristo agia e age em relação a todos nós. O homem da Samaria, aquele estado renegado por todos, foi o único que teve um olhar complacente para o irmão que estava caído à beira da estrada. Em nenhum momento, sacerdotes, fariseus, doutores da lei que ali passaram se apiedaram do irmão.

Então, nós temos exemplo magnânimos no Evangelho e sabemos também que tudo está de acordo com as leis universais. Então não temos que temer este momento. Não, não temos que perder a fé e a confiança porque Jesus está no leme dessa terra abençoada da qual ele é o governador planetário. Ismael, anjo tutelar da pátria brasileira, está a postos defendendo nosso Brasil.

O que nós precisamos agora é tornarmo-nos mais dóceis uns com os outros. Não buscarmos estes instantes de dor e querelas que não levam a nada, dissensões políticas que não vão acrescentar nada a nós agora. Onde estamos muitos de nós fragilizados pela situação. Não, agora é momento de união, união fraternal, de espírito que creem verdadeiramente que tudo isso é passageiro, como disse a mãe santíssima através de Emmanuel ao nosso querido Chico no momento que ele vivenciava muita dor. Tudo passa. Isso também vai passar.

Mas nós precisamos crer firmemente, e ter fé significa ter confiança. Pacificar o coração. Ouvir a voz do Cristo em nós. E ele está sempre ali junto de cada um de nós que nos conectarmos a ele. Nós temos os nossos mentores. Será que já paramos um pouquinho para nos sintonizarmos com os nossos mentores amigos e ouvir na profundidade da nossa intimidade aquela voz que nos consola, que nos acalenta e que nos reanima para a fé, para a confiança na bondade infinita de Deus?

Irmãos queridos, são momentos de reflexão. São momentos que nós devemos nos voltar para nós mesmos e vermos aquilo que podemos melhorar em cada um de nós para nos transformarmos em fontes vivas de esperança e de fé. É momento de buscarmos aqueles defeitos que muitas vezes não aceitamos em nós. Mas vamos refletir sobre eles.

Vamos procurar entender que muitas vezes aquilo que falam para nós de nós mesmos e que nós não aceitamos são situações que nós devemos trabalhar para nossa própria melhoria espiritual. É a chamada reforma íntima que o cristão deve fazer sem martírio. Não precisamos de martírio para nos reformarmos intimamente. Precisamos de reflexão.

Precisamos também nesse instante dilatar os nossos potenciais de bondade. Todos nós somos virtuosos também. Não temos apenas defeitos. Coloquemos as nossas virtudes em prática e se ainda não conseguimos ser fraternos, sejamos solidários, pelo menos porque isso é essencialmente importante. A solidariedade de uns para com os outros. Temos certeza que Jesus ficará muito satisfeito com cada um de nós que busque olhar não apenas para si mas olhar para aquele que está ao seu lado.

E agora que estamos tendo a oportunidade de conviver com a família com maior proximidade, é o momento ideal para colocarmos em prática a paciência, a compreensão, o perdão. Para entendermos o outro, para olharmos o outro não pelo nosso viés mas pelo viés do Cristo quando ele diz que todos somos irmãos.

Então irmãos queridos, momentos de ouro. Nós não podemos achar que esse vírus está nos trazendo a desgraça. Não podemos nos sintonizar com mentes inferiores que disseminam o sofrimento, que disseminam o pânico, que disseminam inverdades.

Não, nosso momento como cristão e principalmente como espírita é outro nessa hora. É o momento de disseminarmos a positividade, o amor, a coragem, a fé. De conectarmo-nos com os nossos grupos de trabalho, com os nossos familiares e amigos numa corrente de oração, numa corrente de vibração positiva, que nos leve a perceber a grandiosidade da bondade de Deus que nos dá nas horas de dificuldade, de dor, o momento do progresso espiritual.

Não deixemo-nos contaminar pelo negativo, porque o negativo atrai vibriões mentais tão poderosos a nos destruir, a baixar a nossa imunidade como este vírus deste momento e tantos outros que existem por aí no nosso dia a dia e que nós não nos damos conta.

Então, vamos irmãos, fazer a lição de casa direitinho para que nós possamos sair desse planeta melhores do que quando aqui chegamos. E vamos procurar também unirmos os nossos esforços para que nós sejamos mensageiros do bem, mensageiros da esperança, mensageiros da paz.

E vamos procurar nesse instante de tanto sofrimento a trabalharmos o positivo, a trabalharmos o amor, que é o ingrediente que está faltando na humanidade: o amor. O amor cobre a multidão de pecados como no afirma Paulo. Então vamos amar. Vamos colocar em ação o nosso amor vibrando pelos nossos irmãos que se encontram doente desesperançados, desesperado.

E assim irmãos nós vamos nesse instante nos conectando em vibrações rogando que a espiritualidade amiga derrame sua luz, suas bênçãos sobre todos os sofredores do corpo e do espírito. Onde houver um irmão nosso que sofre, geme, implora, que se estertor e em dor e sofrimento, muitos com ideias suicidas, que o bálsamo consolador do coração de Jesus possa chegar até ele curando as suas feridas.

Vamos vibrando por todos os lares desse planeta para que haja harmonia, tolerância, paz. E vamos assim nos despedindo dessa espiritualidade querida com muita gratidão e levando os nossos pensamentos até o nosso Criador, doador da vida, a quem mais uma vez agradecemos as bênçãos infinitas para com cada um de nós.

E vamos agora juntos de Jesus levando a nossa gratidão dizendo: Senhor fazei de mim um instrumento da tua paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Oh mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido, amar que ser amado, pois é dando que se recebe e perdoando que se é perdoado.

E é morrendo para os nossos erros, para as nossas imperfeições que nós despertamos para a vida verdadeira. Graças a Deus. Graças a Jesus. Graças ao nosso querido São Francisco. Que a paz continue com todos, que assim seja.