Palestra: “O perdão liberta” com Adelaide Império

Gravação especialmente produzida para o Centro Espírita Padre Zabeu Kauffman, de Indaiatuba (SP), em abril de 2020.

TEMA: “O perdão liberta”

Expositora: Adelaide Império

Referência:

  • Livro Sinal Verde de Francisco Cândido Xavier com André Luiz Capítulo 13 – Antagonistas

Transcrição da palestra espírita

Olá companheiros queridos, sejam muito bem-vindos a esse canal do centro espírita Padre Zabeu Kauffman, de Indaiatuba.

Que a paz de Jesus envolva os nossos corações agora e sempre. E vamos nos preparando para nossa reflexão de hoje, vamos fechando os nossos olhos e levando o nosso pensamento até Deus nosso pai criador.

E vamos nos envolvendo com a espiritualidade amiga, solicitando auxílio para que possamos entender os ensinamentos que essa reflexão mostrará e que possamos colocar em prática na nossa vida cotidiana tudo aquilo que refletimos e entendemos a partir das leituras e reflexões de hoje.

E assim agradecidos por esta oportunidade bendita, nós dizemos: “Pai nosso que estais no céus, santificado senhor seja vosso nome, venha nós o vosso reino seja feita pai a vossa vontade aqui na Terra como no universo.”

“O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores, e não nos deixeis cair em tentação, livra-nos, senhor, de todo mal porque só teus são o reino o poder à luz e a glória para sempre, graças a Deus e graças a Jesus.

E a nossa reflexão está aqui neste livro que se chama “Sinal Verde” é do André Luiz, psicografia de Chico Xavier e a gente vai desenvolver essa nossa reflexão a partir do capítulo 13 que se chama “antagonistas.”

E eu vou pedir licença que eu vou ler para você, está bom, esse texto diz assim: “O adversário em que você julga encontrar um modelo de perversidade talvez seja apenas um doente necessitado de compreensão.

Reconhecemos o fato de que muitas vezes a pessoa se nos torna indigna simplesmente por não nos adotar os pontos de vista, nunca despreze o opositor, por mais ínfimo que pareça.

Respeitemos o inimigo porque é possível seja ele portador de verdades que ainda desconhecemos, até mesmo em relação a nós.

Se alguém feriu a você, perdoe imediatamente, frustrando o mal no nascedouro, a crítica dos outros só poderá trazer-lhe prejuízos se você consentir, a melhor maneira de aprender a desculpar os erros alheios é reconhecer que também somos humanos capazes de errar.

Talvez ainda mais desastradamente que os outros, o adversário antes de tudo, deve ser entendido por irmão que se caracteriza por opiniões diferentes das nossas, deixe os outros viverem a sua própria vida e eles deixaram você viver a existência de sua própria escolha.

Quanto mais avança a ciência médica…” É nesse ponto que a gente vai se apegar hoje tá!? “Quanto mais avança a ciência médica, mais compreende que o ódio em forma de vingança, condenação, ressentimento, inveja, hostilidade está na raiz de numerosas doenças.

E que o único remédio eficaz contra semelhantes calamidades na alma, é o específico do perdão no veículo do amor.

Bem interessante esse texto do André Luiz, não é, gente!? E principalmente se a gente pensar que esse texto foi escrito há mais de 40 anos, há mais de 40 anos o André Luiz já nos alertava que os nossos sentimentos, as nossas emoções vão influenciar no nosso corpo físico e pode nos trazer doenças. Pensando nisso, eu fiz algumas pesquisas e encontrei uma pesquisa, algumas pesquisas.

E isso vocês também podem pesquisar, isso é um acesso público. São vários estudos que foram realizados e que descobriram as causas de doenças ligadas às emoções, ao stress.

E concluíram que problemas como dores de cabeça, dores musculares, gastrites, úlceras, problemas cardiovasculares, hipertensão e problemas gastrointestinais, doenças alérgicas, vertigens e por aí vai.

Podem estar relacionados com a dificuldade que a pessoa tem em perdoar. Um desses estudos foi realizado na universidade da Califórnia pela Doutora Brita Larsen avaliou um grupo de 200 voluntários.

Ela pegou esses 200 voluntários, dividiu em dois grupos e para o primeiro grupo, eles foram estimulados a recordar um momento no qual tivessem experimentado uma mágoa em relação a um amigo.

Então, metade todos eles foram estimulados a recordar esse momento na verdade né que metade só, todos eles foram convidados a recordar um momento em que ficaram magoados com um amigo.

Aí ela pegou esse grupo todo dividiu em dois, um grupo foi convidado a perdoar a ter sentimento de perdão, deixar para lá o acontecido.

O outro grupo foi convidado, foi estimulado, a reviver a sensação que teve ao ser magoado pela situação com relação a esse amigo.

Todos eles estavam sendo monitorados, a pressão arterial, o ritmo cardíaco e o primeiro grupo, o grupo que foi convidado a pensar ali no momento da mágoa, teve uma alteração arterial de ritmos cardíacos que perdurou por um tempo muito longo.

O outro grupo que foi convidado a esquecer, a perdoar, a deixar para lá não teve alteração nenhuma e é um estudo limitado, 200 pessoas.

Mas mesmo assim os pesquisadores reconhecem que o perdão pode minimizar picos de hipertensão gerados pelo estresse, pela raiva, pela mágoa, ressentimento.

Outra pesquisa, é uma pesquisa da universidade de Stanford, ficou conhecida como “Projeto Perdão”, foi organizada por um psicólogo chamado Frederic Luskin.

E esse estudo concluiu que os sentimentos negativos desencadeados por raiva, mágoa, ressentimento, provocam não apenas problemas emocionais, mas físicos.

Depois de diversos testes com voluntários esse pesquisadores chegou à conclusão de que o simples fato de estarmos rancorosos e consequentemente nos tornamos assim menos receptivos ao outro.

Isso por si só desencadeia um processo de stress químico causando uma queda do nosso nível de imunidade, queda do nível de imunidade do organismo.

Tem também uma pesquisa de uma brasileira que foi apresentada no 40º Congresso da Sociedade de Cardiologia do estado de são paulo.

Que apontou uma relação entre a dificuldade de perdoar e a ocorrência do infarto agudo do miocárdio. Olha só, quanta coisa, e eu não fiz grandes pesquisas não foram coisas rápidas.

Olha a ciência nos mostrando que existe uma ligação entre aquilo que sentimos, as nossas emoções, com o nosso corpo físico.

É a ciência em sintonia com os nossos os estudos espíritas, não é mesmo!? A gente sabe que a gente precisa perdoar, a gente já sabe.

Jesus já nos alertou quando foi perguntado quantas vezes devo perdoar, mestre, ele disse “Setenta vezes sete vezes”.

É bastante, é muito, e a gente consegue!? É difícil sim, é difícil mas é possível e é uma escolha que nós temos é o nosso livre-arbítrio falando.

Vamos fazer um exercício? Vamos pensar assim, e se a gente desencarnase agora, como seria!?

A gente desencarna, deixa aqui esse plano, como que é a gente vai desencarnar levando conosco mágoas, rancores sem conseguir perdoar.

A gente desencarna levando ofensas que deixamos para outras pessoas e não recebemos o perdão, fomos os ofensores aí no caso.

Como que é isso!? como será que nós nos sentiríamos!? O bom mesmo seria se a gente não registrasse ofensa alguma, o bom seria se a gente nunca tivesse se sentido ofendido para começo de conversa.

Mas a gente não consegue, nós somos muito suscetíveis às ofensas alheias nós nos melindramos às vezes até por pouca coisa.

E isso causa um mal muito grande, causa doenças, é a falta de perdão. E o que que é o perdão? Perdão é um processo mental é um processo mental.

O perdão é um processo que vai nos libertar, nos libertar do ressentimento, da raiva, da mágoa, que a gente sente de outras pessoas.

O perdão é acima de tudo uma atitude inteligente que traz paz, saúde e solução para muitos problemas e o maior beneficiário do perdão somos nós mesmos.

Perdão está de acordo com as leis de Deus, está de acordo com a harmonia do universo, enquanto não perdoarmos ficaremos ligados ao erro ligados à ofensa recebida.

E se observamos com frieza, racionalmente, a pessoa que julgamos nos ter ofendido, talvez a gente perceba que não há nada a ser perdoado.

Nessa pessoa que produziu a ofensa, ela é humana, é espírito imortal assim como nós mesmos, sujeita a erros e acertos, assim como nós também estamos.

Se houver algo, então, a ser perdoado, é a situação que foi gerada, não a pessoa que gerou a situação.

Todos nós somos parceiros dessa jornada evolutiva, irmãos nessa caminhada. A situação criada que foi ruim e nós temos a obrigação de nos desligarmos dessa situação.

A palavra perdoar vem do latim “perdonare” que significa dar plenamente doar totalmente perdoar, então é desligar-se, libertar-se, livrar se é isso que precisamos fazer em relação a situações que nos ofenderam.

As pessoas que foram causadores das ofensas, são falíveis assim como nós, também estão neste planeta de aprendizado entre bilhões de mundos habitados.

Elas dividem conosco este planeta aqui, não é à toa que cruzaram nosso caminho, nós somos instrumentos de aprendizado uns dos outros.

E a gente só não aprende se a gente não quiser, se a gente não quiser aproveitar a oportunidade de aprendizado.

Se quisermos ficar presos às picuinhas, presos as mágoas estacionados na nossa escala evolutiva.

E Deus é tão maravilhoso, que ele nos proporciona um progresso contínuo, nós não regredimos, nós sempre progredimos.

O pior que pode acontecer é a gente ficar estacionado, preso aonde? No erro. Preso na falta de perdão. E olha como isso é importante.

A gente não pode esquecer que também já praticamos ofensas, já ofendemos, já provocamos situações ofensivas, então perdoemos para sermos perdoados.

A gente faz a oração do pai-nosso, tão bonita não é!? Nós falamos “perdoa senhor as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores.” Será que a gente está fazendo isso?

É fácil a gente pedir perdão para Deus, “ah, Deus me perdoa” mas a gente consegue perdoar o nosso próximo?

E a nossa consciência é o nosso juiz e é nesse nível evolutivo que a gente está, a gente pode até dizer que perdoar é o mesmo que amar.

Porque a gente também não entende a magnitude do que é amar, é nesse estágio evolutivo que estamos. E o que é que o Cristo nos recomendou? “Ama o teu próximo como a ti mesmo.”

Opa, e como é que é!? Primeiro eu preciso me amar, primeiro eu preciso me perdoar, me respeitar, a gente precisa respeitar os nossos limites.

Eu não tenho que me cobrar, eu não tenho que dar conta de fazer o que todo mundo faz, eu não tenho que saber o que todo mundo sabe, eu não tenho que ser como todo mundo é.

Eu preciso conhecer os meus limites e respeitar. Tem coisas que eu sou boa, tem coisas que não sou tão boa. Algumas coisas eu faço bem, outras não faço tão bem.

E a gente precisa se acolher, se aceitar, e se a gente errou, paciência, erramos e o erro nos proporcionam o acerto nos proporcionam a melhoria.

Quando a gente aprender a perdoar primeiramente a nós mesmos, aí a gente vai se desligar dos erros que nós cometemos, às vezes até em outras vidas.

Então não julguemos tanto, não julguemos a nós mesmos, não julguemos ao outro. Se a gente não tivesse errado, talvez a gente não tivesse aprendido e talvez não pudéssemos nos tornar seres humanos melhores.

Cabe a Deus nos julgar, se a gente chegou até aqui foi porque a gente aprendeu a caminhar e é porque a gente aprendeu que é bom perdoar.

A cada dia nós temos essa oportunidade de recomeçarmos um novo aprendizado, que vai nos ajudar na nossa escalada evolutiva, tudo com muito esforço.

Não adianta a gente ficar preso no erro que cometeu. Aprendamos com os nossos erros,  tentemos fazer melhor da próxima vez.

Os erros são tentativas de acerto que ainda não obtiveram o sucesso desejado. Então se a gente não consegue perdoar a nós mesmos, como é que nós vamos perdoar o próximo? Cada um dá o que tem.

Se eu não tenho perdão por mim, seu eu não tenho respeito por mim, se eu não me amo, como é que eu vou perdoar, respeitar e amar ao outro? Como?

O Cristo viveu a arte do perdão em toda a sua plenitude, perdoou quando foi humilhado, rejeitado, ofendido, ferido, injustiçado e até na hora da morte, no auge da dor pediu perdão para seus algozes.

Na verdade, perdoar é uma questão de escolha. Perdoar é preferir ser feliz, ser saudável, ser livre. Pensemos nisso com carinho, meus amigos.

Muito obrigado a todos, que Jesus nos auxilie. E vamos encerrando essa nossa reflexão de hoje, convido a todos então para que fechemos os nossos olhos, vamos elevando os nossos pensamentos até Deus nosso pai criador.

E vamos mentalizando a figura do nosso querido e amado mestre Jesus, esse companheiro de todas as horas que vem se aproximando de nós, nos dizendo: “Vinde a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei, tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e achareis descanso para a vossa alma, porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”.

E a esse mestre querido, nós dizemos que aceitamos o teu convite, divino amigo. Se aproxima de nós, então, nos envolva com seu amor.

E vamos sentindo que o amor do Cristo, através desse abraço que ele nos dá, vá eliminando do nosso ser toda a negatividade.

Todo sentimento de rancor, de ansiedade, o ressentimento e mágoa. E no seu lugar nós sentimos que o amor do Cristo vai nos banhando, nos envolvendo, nos trazendo positividade, nos trazendo esperança, renovando a nossa fé.

Permitindo que possamos pensar como aquele nosso irmão de Assis, para que possamos consolar mais do que ser consolados, amar mais do que ser amados. Para que possamos ter o amor do Cristo em nossas vidas.

Para que possamos dar aquilo que recebemos para que possamos perdoar seguindo sempre rumo à nossa escalada evolutiva.

E muito obrigado a todos. Graças a Deus e graças a Jesus.