Palestra: “Rumo ao deserto” com Solange Caramel

Gravação especialmente produzida para o Centro Espírita Padre Zabeu Kauffman, de Indaiatuba (SP), em abril de 2020.

TEMA: “Rumo ao deserto”

Expositora: Solange Caramel

Referências:

  • Livro: Paulo e Estevão – psicografado por Chico Xavier pelo espírito de Emmanuel

Transcrição da Palestra Espírita

Olá a todos, um prazer estar com vocês reunidos assim a distância. E para que a gente possa dar início a nossa palestra, nós vamos começar com a nossa prece inicial.

Então peço a todos que de suas casas fechem os seus olhos materiais e visualizem neste momento a nossa casa espiritual, o Centro Espírita Padre Zabeu Kauffman, que nos recebe sempre com tanto amor e tanto carinho. Que nos oferece o conforto, a paz e tranquilidade. Onde podemos aprender a sermos melhores. Vamos então nos vinculando a esta casa para que possamos receber as energias de luz, de paz, de tranquilidade e conforto em nossos lares.

Que os nossos irmãos espirituais possam nos confortar, nos trazer a paz e a alegria. E que neste momento, possamos receber energias luminosas que possam nos revigorar. Agradecemos a oportunidade de estarmos reunidos em espírito e de podermos através desta apresentação sentirmos as energias de amor vindas do plano maior, que nos acolhe nos nossos lares e nos trazem luz. Que assim possamos sair desta reunião melhor do que quando chegamos e que o Senhor nos abençoe e nos ilumine. Que assim seja, graças a Deus e graças a Jesus.

É um prazer estar falando com vocês. E eu trouxe hoje um tema que eu acredito que seja muito pertinente ao momento que nós estamos vivendo. E mais do que isso, é uma grande reflexão. Eu sou muito fã, digamos assim, de Paulo de Tarso, que foi um dos apóstolos de Jesus não oficial. Um apóstolo que veio depois que Jesus já tinha sido crucificado, mas que trouxe um exemplo muito interessante para a gente.

E eu me identifico muito com ele porque ele foi uma pessoa como todos nós, que erramos, que somos orgulhosos, que somos vaidosos, que somos egoístas. Ele também teve os momentos dele. E depois que ele encontrou com Jesus ele conseguiu mudar tudo isso, transformar sua realidade e fez uma obra maravilhosa do Cristianismo.

Então eu admiro muito porque ele conseguiu reverter tudo aquilo que ele tinha dentro dele em sentimentos de amor ao próximo, em atitudes, em caridade. O livro Paulo e Estevão, que é uma psicografia de Emmanuel feita por Chico Xavier, é um livro que relata as duas fases que viveu o Saulo de Tarso até se transformar em Paulo de Tarso.

E nessas fases, entre essas duas fases, existiu uma fase intermediária que eu diria que foi a transformação. Porque a gente não muda de um dia para o outro. Nós precisamos de tempo.

Então, no primeiro capítulo da segunda parte deste livro, ele vai falar. O título se chama “Rumo ao deserto”. Saulo tinha decidido perseguir Ananias, que era um cristão, até a cidade de Damasco para poder matá-lo. E ele no meio do caminho se encontra com Jesus. 

Ele fica cego e a frase que ele escuta é “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Vocês já devem ter ouvido essa frase. E aí, na sequência, Saulo decide se tornar cristão. Ele percebe que tudo o que foi dito a respeito de Cristo era a verdade. E ele diz para Jesus “O que quer que eu faça?” Ou seja, como eu faço daqui para frente? Ele não se prendeu ao passado. Ele buscou em Jesus o seu auxílio.

E a partir daí, ele vai cego para a cidade de Damasco. A primeira coisa que ele faz é ir até a casa de um amigo para se hospedar. Quando ele chega na casa desse amigo cego, pede acolhimento e conta que ele encontrou com Jesus e que ele se converteu. O amigo se nega a atendê-lo. Se nega a atendê-lo e acolhê-lo. Ele sai de lá chorando muito, triste e vai para uma hospedagem e fica lá durante três dias sozinho.

Nesse período de três dias que ele está isolado, ele reflete sobre toda a vida dele, sobre toda a trajetória, sobre todos os enganos. Sobre como ele achava que uma coisa era verdade e a verdade dele estava completamente distorcida.

Ele percebeu que precisava de uma reforma muito grande, em quem ele era e que ele tinha que recomeçar. Para que ele pudesse recomeçar, ele precisava do apoio de outras pessoas. Pessoas que estavam vinculadas ao Cristianismo porque naquele momento ele, o que ele conhecia sobre Jesus era apenas para deixá-lo com ódio. E naquele momento em que ele encontrou Jesus ele encontrou o amor.

Então eu trago essa lição para nossa vida cotidiana. Vamos pensar que nós de repente estamos num rumo ao deserto. E o deserto, a gente vai para ele sozinho. A gente precisa estar lá sozinhos porque nós precisamos refletir sobre as nossas atitudes, e ninguém vai poder fazer isso por nós.

Nós vamos poder pensar sobre aquilo que nós fizemos, não com a culpa e não com o sentido de se acusar, mas o sentido de o que eu posso mudar daquilo que eu fiz no meu passado? O que eu posso transformar para o meu futuro? O que eu vou ter que abandonar para transformar esse futuro?

Porque não é fácil. Paulo mostra muito bem nesse livro. Porque depois da conversão, a gente vê quantas dificuldades ele enfrenta para lidar principalmente com orgulho dele. Porque afinal de contas ele era uma pessoa de muito poder.

Dentro do Sinédrio, o Sinédrio era como se fosse um tribunal, ele era como se fosse um juiz. Ele tinha o poder de mandar prender, de mandar soltar. Ele tinha dinheiro, ele tinha prestígio e muitos amigos.

Ele deixou tudo isso para trás e abandonar tudo isso, começar uma nova vida, se transformando de perseguidor em perseguido não era uma coisa muito simples de se fazer, como não é simples a gente mudar o nosso comportamento.

A gente pode buscar essa mudança, a gente pode querer mudar mas nas primeiras vezes em que a gente tentar ter uma atitude diferente, a gente vai tropeçar, a gente vai errar, a gente não vai saber como fazer. Vai fazer do jeito torto porque a gente está experimentando algo diferente.

E aos poucos essa mudança vai acontecendo de forma que a gente vai se transformando. E é isso que faz com que a gente vá aos poucos mudando. Essa mudança não acontece em um estalar de dedos. E não é diferente conosco. Nós vamos tropeçar muitas vezes quando nós tentarmos mudar as nossas atitudes e muitas vezes nós vamos continuar sendo as mesmas pessoas tentando nos transformar, errando e acertando. Mas o importante é nos darmos início a esse processo.

E hoje que nós estamos todos confinados nos nossos lares, e o lar é sempre o nosso maior aprendizado porque nós estamos com pessoas com quem nós temos história, com quem nós temos necessidade de estar. Nós precisamos refletir qual é o aprendizado que precisamos ter com aquele familiar difícil. Qual o aprendizado que nós temos que ter com relação a nós mesmos, aos nossos comportamentos, as nossas atitudes perante as situações.

E através dessa reflexão que nós temos agora a oportunidade de fazer estando em casa, onde os conflitos possivelmente aumentem por conta de estarmos mais perto, mais juntos. Mas é importante nós estarmos juntos porque a partir do momento que nós estivermos em harmonia dentro do nosso lar, em paz com a nossa família, é muito mais fácil nós estarmos em paz com o mundo.

É muito mais fácil nós temos tranquilidade para lidar com um colega de trabalho que é difícil. É mais fácil a gente aprender a tolerância dentro de casa porque na convivência diária nós precisamos ter tolerância, ter paciência, resignação. Às vezes temos que ser duros, às vezes temos que nos calar. E às vezes é difícil saber o momento certo de fazer cada coisa.

E esse aprendizado aqui do livro, o que é o que aconteceu com Paulo, ele passou por todo esse processo. A primeira vez em que, depois que ele se tornou cristão a visão dele voltou, ele decidiu ir até uma uma congregação judaica, porque ele era um judeu, e fazer uma pregação, falando sobre Jesus, que Jesus era verdade mesmo, que ele tinha se convertido.

Começou a querer falar sobre, ou seja, converter as outras pessoas e os outros judeus. E ele foi muito maltratado, destratado, foi expulso. Tentaram agredi-lo. Ele saiu de lá humilhado. Por que humilhado? Porque ele não estava acostumado a ser rejeitado. Ele era uma pessoa de poder e prestígio dentro do mundo judaico. E de repente ele se tornou um lixo para as pessoas. Aqueles que eram seus amigos se tornaram seus inimigos. E para ele, não foi um processo fácil. Ele teve que lidar com todas essas recusas e construir uma nova vida.

Depois que ele passa por essa situação, ele decide que ele tem que ir para o deserto. Porque ele tem que refletir melhor. Ele precisa se isolar, ele precisa se transformar, ele precisa aprender sobre o Cristianismo. Tanto que Ananias fornece para ele um pergaminho com as anotações de Levi.

E ele vai estudar, vai praticar. E as pessoas com quem morava eram cristãos. Então ele começa a entender como Jesus pensava, como ele agia, o que ele fazia e quais eram os conceitos dele. E esse tempo que ele passou no deserto, ele aprendeu toda a teoria. O que é bem isso, a gente aprende a teoria e depois a gente vai lá e pratica. E na hora de praticar, às vezes as coisas saem todas tortas, de um jeito que a gente não queria.

Mas para a gente se transformar é assim. É trabalhoso, é demorado. Faz parte de um processo. E esse processo nós precisamos passar. E ai eu queria comentar com vocês um pequeno trecho do livro que eu separei que fala um pouco sobre essas sensações que ele tinha. Ele fala assim “…começava a compreender que todos os sofrimentos enviados por Deus são proveitosos e justos. E que todos os males procurados pelas mãos do homem trazem invariavelmente torturas infernais à consciência invigilante…”.

Ou seja, a gente precisa olhar para situações de uma maneira diferente. E que tudo tem uma justiça. Está tudo certo. Em todas as dores que nós passamos, elas fazem a gente crescer, a gente aprender. E tudo que ele passava a partir daquele momento, que ele passou a ser perseguido, e tudo bem para ele.

Porque na verdade, o que ele percebeu, assim, ele tinha todo o poder. Ele tinha o dinheiro. Ele tinha um prestígio. Mas ele não era feliz. Ele sentia um vazio imenso dentro dele e precisava sentir-se preenchido.

E quando ele encontrou Jesus, ele encontrou isso. Ele percebeu que os bens materiais não valiam nada, ele percebeu que as pessoas é que são importantes, o ser humano é importante. Que fazer o bem para o outro é importante e que o resto não é duradouro.

E foi assim que ele, para tentar passar todo esse aprendizado, que ele estava vivenciando, ele escreveu várias epístolas, que são muito famosas, com muitas frases de impacto sobre todos nós, que vocês vão encontrar em diversos livros na literatura espírita, onde vão destrinchar os trechos das falas dele, das cartas para que a gente possa compreender o significado daquilo que ele tentou nos trazer.

Tem um outro trecho aqui do livro que eu acho legal também que fala assim “…estava separado cego e separado dos seus…” Foi aquele momento em que ele está ainda cego. Ele fala “…dolorosas angústias reprezavam-lhe no coração opresso. Mas a visão do Cristo, sua palavra inesquecível, sua expressão de amor estava presente na alma transformada. Jesus era o Senhor, inacessível à morte. Ele orientaria os seus passos no caminho, dar-lhe-ia novas ordens, secaria as chagas da vaidade e do orgulho que lhe corriam o coração. Sobretudo conceder-lhe-ia forças para reparar os erros dos seus dias de ilusão…”

Então ele percebeu que com Jesus ele conseguia tudo que ele precisava. Porque ele tinha certeza de que Jesus, de que todos os seus ensinamentos iam servir de consolo para todas as dores que ele viesse a passar.

Então, neste momento nós precisamos muito mais de Jesus dentro do nosso coração. Muito mais de seguir os seus ensinamentos do que qualquer outro momento da nossa vida. É sempre momento de recomeçarmos. É sempre momento de nós atravessarmos o deserto e nos transformarmos.

E assim, através dessa transformação que nós também vamos poder transformar a vida de outras pessoas que estão ao nosso redor. Porque todas as pessoas percebem as nossas mudanças e principalmente quando elas são para melhor.

E assim o nosso mundo também se transforma, as amizades que a gente tem se transformam, as nossas energias se transformam. Então, vamos buscar neste momento o nosso deserto interior e vamos refletir sobre tudo o que Paulo nos trouxe de ensinamentos e toda a prática. Que ele nos mostrou através da sua vida para que a gente possa também se sentir confortado.

Porque apesar de nós ainda sermos criaturas imperfeitas, nós também podemos nos renovar todos os dias da nossa vida.

Então, assim eu vou agradecendo a vocês por esta oportunidade de estar aqui com vocês reunidos. E vamos fazer o encerramento da nossa apresentação.

Vou pedir a todos que fechem novamente os olhos. Vamos então elevar os nossos pensamentos a Deus, agradecendo por todo este aprendizado, por toda essa leitura que fizemos aqui. Que ela possa entrar em nossos corações como se fosse um alívio, uma luz divina que está neste momento nos libertando as mágoas, dos ressentimentos, das dores e nos colocando no lugar a confiança, a fé, a certeza de que não estamos desamparados. 

Sabemos que Deus, que Jesus, e que toda a espiritualidade amiga está conosco neste momento, nos amparando, nos protegendo. Nos dando tudo que necessitamos para atravessarmos a nossa existência.

Agradecemos então a essa espiritualidade maravilhosa que cuida dos nossos lares, aos nossos queridos irmãos espirituais que nos protegem, nos auxiliam, nos intuem nas nossas dificuldades. Que eles possam neste momento nos abraçar com muito carinho, deixando em nossos corações as suas energias de amor. E que possamos assim ter uma semana em paz e tranquilidade. E que o Senhor nos abençoe sempre. Graças a Deus e graças a Jesus.

Uma boa semana para todos vocês. Um abraço.